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As razões da explosão de obesidade no Brasil

A cada cinco brasileiros, um está obeso. Mais da metade da população está acima do peso. O país que até pouco tempo lutava para combater a fome e a desnutrição, agora precisa conter a obesidade. Por que a balança virou?

Indicadores apresentados na segunda-feira pelo Ministério da Saúde mostram que, nos últimos 10 anos, a prevalência da obesidade no Brasil aumentou em 60%, passando de 11,8% em 2006 para 18,9% em 2016. O excesso de peso também subiu de 42,6% para 53,8% no período.

Os dados são da Pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel), com base em entrevistas realizadas de fevereiro a dezembro de 2016 com 53.210 pessoas maiores de 18 anos de todas as capitais brasileiras.

Especialistas ouvidos pela BBC Brasil atribuem o aumento de peso dos brasileiros a fatores econômicos e culturais, mas também genéticos e hormonais.

 

O ‘vilão’ apontado pelos médicos como principal causa da epidemia de obesidade
Três causas do sangue nas fezes (e que não são câncer de cólon)
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Novos padrões alimentares
Refrigerante


Para o diretor do Centro de Obesidade e Síndrome Metabólica do Hospital São Lucas da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Cláudio Mottin, a tendência de aumento da obesidade já vinha sendo verificada antes da pesquisa Vigitel, realizada anualmente desde 2006.

“Talvez um dos fatores mais preponderantes seja a mudança dos hábitos alimentares que se observa desde os anos 1970. Com pouco tempo para comer, as pessoas deixaram de fazer as refeições em casa e passaram a optar por comidas mais rápidas e mais calóricas”.

Essa mudança de hábito também aparece na pesquisa Vigitel: o consumo regular de feijão, considerado um alimento básico na dieta do brasileiro, diminuiu de 67,5% em 2012 para 61,3% em 2016. E apenas um entre três adultos consomem frutas e hortaliças em cinco dias da semana.

Aumento do trabalho e da renda

O aumento da obesidade coincide com um período de crescimento do poder de compra dos brasileiros, incentivado por políticas econômicas e programas de distribuição de renda.

Segundo uma pesquisa do instituto Data Popular, a renda da classe média, que representa 56% da população, cresceu 71% entre 2005 e 2015, sendo que a renda dos 25% mais pobres foi a que mais aumentou. Assim, a chamada classe C passou a ter acesso a produtos antes restritos à elite. Além disso, ao se inserir no mercado de trabalho, o brasileiro acaba incorporando hábitos menos saudáveis, como os já citados por Mottin.

“Não surpreende o alto índice de obesidade na faixa etária entre os 25 e os 44 anos, porque isso corresponde justamente a essas mudanças no estilo de vida, quando os jovens deixam de depender de seus pais e passam a ter uma rotina mais voltada à carreira profissional”, pondera a endocrinologista Marcela Ferrão, pós-graduada em nutrologia e membro da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

A Vigitel mostrou que o excesso de peso aumenta significativamente da faixa etária dos 18 aos 24 anos (30,3%) para a dos 25 aos 44 anos (50, 3%). Há uma alta prevalência de obesidade nessa faixa etária: 17%. Considera-se obesidade Índice de Massa Corporal (IMC) igual ou maior que 30 kg/m2 e excesso de peso IMC igual ou maior que 25 kg/m2.


Genética ‘gorda’


A questão genética também cumpre um papel relevante para o aumento da população obesa, segundo o médico Cláudio Mottin. Segundo ele, o organismo de nossos antepassados não estava adaptado para a fartura e passaram para nós a genética de retenção de calorias.

“Quando os tempos eram de escassez de alimentos, quem tinha mais condições de defesa corporal eram as pessoas mais gordinhas, porque tinham mais condições de armazenamento de energia. No momento em que temos alimentos à disposição sem esforço, a genética joga contra”, explica o especialista.

Além disso, colabora para a proliferação dessa “genética gorda” também um aspecto cultural, que associava gordura a saúde até recentemente, como aquele discurso da vovó que diz que o neto “está doente se está magrinho”.

Noites mal dormidas

A endocrinologista Marcela Ferrão também atribui a baixa qualidade do sono como um dos fatores para o aumento da obesidade. Segundo ela, a sociedade acelerada e conectada faz com que as pessoas não tenham horário para dormir.

“À noite, a serotonina, que é o hormônio do humor, se converte em melatonina, responsável pelo sono reparador. Nesse estágio do sono, as células conseguem mobilizar gorduras de forma adequada”, explica.

Mas não tem sido fácil chegar a esse estágio do sono quando a tensão e o estresse estão cada vez mais intensos, a pessoa não consegue desligar o celular e acorda várias vezes durante a noite.

Isso gera um desequilíbrio hormonal que reduz a capacidade do corpo de produzir glicose, a pessoa acorda ainda mais cansada e sente a necessidade de consumir alimentos mais energéticos”, conclui Ferrão.

Dieta variada


Um último ponto destacado pelos especialistas para o aumento da obesidade no Brasil é a falta de acesso a uma dieta diversificada, o que depende menos de poder aquisitivo do que de educação alimentar.

Nesse sentido, o Guia Alimentar para a População Brasileira se destaca entre as políticas do Ministério da Saúde para enfrentar a obesidade. A publicação oferece recomendações sobre alimentação saudável e consumo de alimentos in natura ou minimamente processados, mas vai além: coloca a hora da refeição no centro de uma discussão sobre convivência familiar e gestão do tempo.

“Os alimentos ultraprocessados são muito consumidos pela população jovem porque são práticos. Outro problema é o comportamento alimentar. É muito comum as pessoas comerem rápido, sozinhas e com celular na mão. Estudos mostram que comendo com família ou amigos, a pessoa presta mais atenção no que está comendo”, diz a coordenadora-geral de Alimentação e Nutrição do Ministério da Saúde, Michele Lessa de Oliveira.

A Vigitel apresenta um dado positivo sobre o consumo regular de refrigerante ou suco artificial, que caiu de 30,9% em 2007 para 16,5% em 2016. Mas o Ministério da Saúde quer mais. “Nossa meta é reduzir em 30% o consumo de refrigerante pela população adulta até 2019 e aumentar em 17,8% o consumo de frutas e hortaliças”, adianta Michele.

Riscos à saúde


O crescimento da obesidade é um dos fatores que podem ter colaborado para o aumento da prevalência de diabetes e hipertensão, doenças crônicas não transmissíveis que pioram a condição de vida do brasileiro e podem até levar à morte.

O diagnóstico médico de diabetes passou de 5,5% em 2006 para 8,9% em 2016 e o de hipertensão de 22,5% em 2006 para 25,7% em 2016, conforme a Vigitel. Em ambos os casos, o diagnóstico é mais prevalente em mulheres.

“A obesidade é a mãe das doenças metabólicas. Além da diabetes, que apresenta mais de 20 fatores de comorbidade (doenças ou condições associadas), obesos infartam mais e até câncer é mais prevalente em pessoas acima do peso”, destaca o diretor do Centro de Obesidade da PUCRS, Cláudio Mottin.

O Ministério da Saúde pretende reduzir as taxas de mortalidade prematuras em 2% ao ano até 2022. Doenças cardiovasculares, respiratórias crônicas, diabetes e câncer respondem por 74% dos óbitos anuais no Brasil.

 

fonte: BBC Brasil, para ler a matéria original clique aqui

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Falta de sono aumenta gordura abdominal prejudicial

ROCHESTER, Minnesota — Novas pesquisas da Mayo Clinic mostram que a falta de sono suficiente combinada com o livre acesso a comida aumentam o consumo de calorias e consequentemente o acúmulo de gordura, especialmente a go abdominal prejudicial.

Descobertas de um estudo cruzado controlado e randomizado conduzido por Naima Covassin, Ph.D. (pesquisadora em medicina cardiovascular na Mayo Clinic), mostram que a falta de sono suficiente leva a um aumento de 9 por cento na gordura abdominal total e a um aumento de 11 por cento na gordura visceral abdominal, comparado com sono controlado. A gordura visceral é depositada profundamente dentro do abdome em torno dos órgãos internos e está fortemente ligada a doenças cardíacas e metabólicas.

As descobertas estão publicadas na revista médica Journal of the American College of Cardiology e o estudo foi financiado pelo National Heart, Lung and Blood Institute (Instituto Nacional de Coração, Pulmões e Sangue).

A falta de sono suficiente costuma ser uma decisão comportamental que tem se tornado cada vez mais comum. Mais de um terço dos adultos nos EUA rotineiramente não dormem o suficiente, em parte por conta do trabalho em turnos e de dispositivos inteligentes e redes sociais utilizados durante os horários tradicionais de sono. Além disso, as pessoas tendem a comer mais durante longos períodos em que estão acordadas, sem aumentar a atividade física.

“Nossas descobertas mostram que o sono encurtado, mesmo em pessoas jovens, saudáveis e relativamente magras, está associado a um aumento na ingestão de calorias, a um aumento muito pequeno no peso e a um aumento significativo no acúmulo de gordura na barriga,” diz Virend Somers, M.D., Ph.D., professor de medicina cardiovascular da cátedra Alice Sheets Marriott e principal investigador do estudo.

“Normalmente, a gordura é preferencialmente depositada subcutaneamente ou abaixo da pele. Porém, o sono inadequado parece redirecionar a gordura para o compartimento visceral, que é mais perigoso. É importante ressaltar que, embora durante o sono de recuperação tenha havido uma diminuição na ingestão de calorias e no peso, a gordura visceral continuou a aumentar. Isso sugere que um sono inadequado é um gatilho previamente não reconhecido para o depósito de gordura visceral e que o sono de recuperação, pelo menos a curto prazo, não reverte o acúmulo de gordura visceral. A longo prazo, essas descobertas implicam o sono inadequado como um contribuidor para as epidemias de obesidades, doenças cardiovasculares e metabólicas,” afirma o Dr. Somers.

A coorte do estudo consistiu em 12 pessoas saudáveis que não eram obesas, cada uma passando por duas sessões de 21 dias no ambiente de internação. Os participantes foram aleatoriamente colocados no grupo de sono controlado (sono normal) ou no grupo de sono restrito durante uma sessão e o oposto durante a próxima sessão, após um período de pausa de três meses. Cada grupo teve acesso à livre escolha de alimentos durante todo o estudo. Os pesquisadores monitoraram e mediram o seguinte: consumo de energia; gasto de energia; peso corporal; composição corporal; distribuição de gordura, incluindo gordura visceral ou gordura na barriga; e biomarcadores circulantes de apetite.

Os primeiros quatro dias foram um período de adaptação. Durante esse tempo, todos os participantes foram autorizados a dormir nove horas. Nas duas semanas seguintes, o grupo de sono restrito teve quatro horas de sono permitidas, e o grupo de controle manteve as nove horas. A isso se seguiram três dias e noites de recuperação com nove horas de sono para os dois grupos.

Os participantes consumiram mais de 300 calorias extras por dia durante a restrição do sono, comendo aproximadamente 13 por cento mais proteína e 17 por cento mais gordura, comparado com o período de adaptação. Esse aumento no consumo foi maior nos primeiros dias de restrição de sono e, então, reduzido gradativamente para os níveis iniciais durante o período de recuperação. O gasto de energia permaneceu basicamente o mesmo durante o processo.

“O acúmulo de gordura visceral foi detectado apenas via tomografia computadorizada e seria despercebido de qualquer outra forma, especialmente porque o aumento de peso foi bem modesto (apenas cerca de meio quilo)”, afirma a Dra. Covassin. “Medidas de peso por si só seriam falsamente tranquilizadoras em termos de consequências de sono inadequado para a saúde. Também preocupantes são os efeitos potenciais de períodos repetidos de sono inadequado em termos de acúmulo e aumento progressivo de gordura visceral no decorrer dos anos.”

O Dr. Somers afirma que intervenções comportamentais, como um aumento de exercícios físicos e a escolha de alimentos saudáveis, precisam ser consideradas para pessoas que não conseguem evitar facilmente a quebra do ritmo de sono, como ocorre com trabalhadores de turnos. Mais estudos são necessários para determinar como essas descobertas em jovens saudáveis se relacionam com pessoas de maior risco, como aquelas que já estão obesas ou têm uma síndrome metabólica ou diabetes.

Matéria da Mayo Clinic. Para ler no site original clique aqui

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Novo estudo sobre Associação entre Bariátrica e a Redução do risco de câncer e mortalidade

Estudo recente publicado no JAMA demonstrou que após 10 anos de cirurgia bariátrica os pacientes apresentam mortalidade associada ao câncer 48% menor e 32% menos casos de câncer associado à obesidade, em comparação com pacientes obesos (em grupo controle). O estudo avaliou 5mil pacientes submetidos à cirurgia bariátrica e evidenciou resultados impressionantes em relação à incidência de novos cânceres. Você luta contra a obesidade? Consulte um especialista para te auxiliar na perda de peso e controle das doenças. Conheça nossos profissionais da Gastroinclusive! Para ler o estudo completo no site JAMA Network, acesse aqui.
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Nova proposta de uma nova maneira de classificar a obesidade

Abeso e  SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia)  lançaram em conjunto um documento oficial que propõe uma nova maneira de classificar a obesidade baseada na trajetória do peso. Você pode ter acesso ao artigo clicando aqui.

Até hoje, a maior parte das pessoas ainda acredita que o objetivo do tratamento da obesidade seja normalizar, por assim dizer, o índice de massa corporal (IMC), como se só assim, tornando-se magro,  fosse possível obter benefícios clínicos e ter um organismo mais saudável.

No entanto, uma perda de peso que pode parecer muitas vezes até modesta — geralmente acima de 5% — já está relacionada a vantagens para a saúde, independentemente do valor do IMC ao final do tratamento que levou a esse emagrecimento.

De uma maneira extremamente simples, a nova proposta parte do peso máximo que uma pessoa alcançou na vida — mas, atenção, não vale aquele peso da gravidez, nem o do período de lactação ou o de outras situações especiais descritas no artigo. Depois, anota-se o quanto de peso ela já perdeu no passado e calcula-se a porcentagem que essa perda representaria daquele valor mais alto.

Para quem tem um IMC entre 30 e 39, 9 kg/m2, perdas que representem de 5% a 10% do valor mais alto alcançado na vida indicam uma obesidade reduzida. Já perdas acima de 10% apontam para uma obesidade controlada, com uma redução de risco importante para a saúde.

Se, no entanto, o indivíduo tem um IMC igual ou maior do que 40kg/m2,  os valores mudam um pouco. Então, para a obesidade ser considerada reduzida, a perda deve representar mais 10%  do peso mais alto e deve ultrapassar 15% para a gente falar em obesidade controlada.

A Abeso e todos os autores do documento não têm a pretensão de que a nova proposta substitua as classificações anteriores, mas que sirva de ferramenta adjuvante ou completar para avaliação dos pacientes. E,  talvez tão importante quanto isso, para disseminar o conceito de que, na hora de avaliar a obesidade, é fundamental perguntar o peso máximo do indivíduo ao longo da vida para entender a sua história e oferecer o melhor tratamento. Que, leia-se, não deve mirar valores difíceis de serem alcançados na balança, que só servem para destruir o engajamento e favorecer o prejudicial efeito safona.

A nova classificação valoriza muito mais um emagrecimento sustentável, aquele que as pessoas conseguem manter — e essa pode ser, sim, a parte mais desafiadora do tratamento.

Fonte: ABESO, para saber mais  clique aqui

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Obesidade infantil: as razões por trás do aumento de peso entre as crianças brasileiras

Julia Braun
Da BBC News Brasil em São Paulo

Um estudo encomendado pelo Ministério da Saúde mostrou que uma em cada 10 crianças brasileiras de até 5 anos está com o peso acima do ideal: são 7% com sobrepeso e 3% já com obesidade.

O Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil (Enani-2019), coordenado pelo Instituto de Nutrição Josué de Castro, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), indica ainda que um quinto das crianças (18,6%) na mesma faixa etária estão em uma zona de risco de sobrepeso.

No estudo, foram considerados indicadores de 2019, período anterior à pandemia de covid-19 e durante o qual especialistas acreditam que os indicadores possam ter piorado ainda mais devido a mudanças na rotina de alimentação, atividade física e consultas médicas.

Os dados anteriores do mesmo estudo datam de 2006, e desde então o cenário mudou muito. A prevalência de excesso de peso em crianças nessa faixa etária aumentou de 6,6% em 2006 para 10%, em 2019.

Os dados soaram um alerta para a comunidade médica, que já monitorava outras pesquisas sobre excesso de peso na infância. A mais recente delas, divulgada pelo Ministério da Saúde em 2021, estima que 6,4 milhões de crianças têm excesso de peso no Brasil e 3,1 milhões já evoluíram para obesidade.

“O que realmente nos preocupa é a tendência de aumento. No passado a obesidade era um fenômeno concentrado principalmente entre adultos, mas aos poucos ela foi atingindo também os adolescentes, as crianças mais velhas e agora as de menos de 5 anos”, disse Inês Rugani, pesquisadora do Enani-2019, à BBC News Brasil.

A nutricionista e especialista em saúde pública chama a atenção para o fato de que o estudo identificou uma prevalência maior excesso de peso entre as crianças menores, de até 23 meses de idade, com 23% delas acima do peso. Os menores de 24 a 35 meses estão em segundo lugar (20,4%), seguidos pelos de 36 a 47 meses (15,8%) e 48 a 59 meses (14,7%).

“O fato de que as crianças menores têm uma prevalência um pouco mais alta do que as mais velhas aponta para uma perspectiva de piora no futuro”, afirma.

Segundo Rugani, meninos e meninas com obesidade correm riscos de desenvolverem doenças nas articulações e nos ossos, diabetes, doenças cardíacas e até câncer. “Crianças obesas têm ainda mais chances de se tornarem adultos obesos”, diz.

A BBC News Brasil conversou com médicos, pediatras e nutrólogos que apontaram as principais razões que explicam o crescimento no sobrepeso e obesidade entre as crianças brasileiras.

Alimentos ultraprocessados

A obesidade infantil é resultado de uma série complexa de fatores genéticos e comportamentais, que atuam em vários contextos como a família e a escola. Segundo os especialistas ouvidos, porém, os maiores responsáveis pelo aumento de peso entre as crianças brasileiras são os alimentos ultraprocessados.

Sucos de caixinha, refrigerantes, biscoitos recheados, salgadinhos e macarrão instantâneo são alguns dos produtos mais consumidos pelos pequenos atualmente.

Segundo Cintia Cercato, endocrinologista da Universidade de São Paulo (USP) e presidente da Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica), o Brasil passa há alguns anos por um processo de mudança no ambiente alimentar.

E se antes muitas famílias tinham dificuldade de acesso a alimentos prontos ou industrializados, hoje eles se tornaram mais baratos e disponíveis.

Entre as famílias entrevistadas pelo Enani-2019, a prevalência do consumo de alimentos ultraprocessados chegou a 93% entre crianças de 24 a 59 meses e 80,5% entre crianças de 6 a 23 meses. Já o consumo de bebidas adoçadas atinge 24,5% dos pequenos entre 6 a 23 meses, 37,7% dos de 18 a 23 meses e 50,3% das crianças de 24 a 59 meses.

Além de muitas vezes terem um custo mais baixo do que os alimentos in natura, os industrializados também são propagandeados na televisão e na internet com um marketing muito específico para os pequenos.

“As embalagens são coloridas e com personagens, e nos supermercados os produtos ultraprocessados costumam ficar nas prateleiras mais baixas, na linha de visão das crianças. Dessa forma é difícil que os pequenos não sintam vontade de experimentar”, diz Cercato.

Em outubro de 2022, entrará em vigor novo padrão de rotulagem de alimentos e bebidas industrializadas aprovado pela Anvisa em 2020. As embalagens deverão apresentar um selo frontal com símbolo de lupa para informar sobre altos teores de açúcar, gordura e sódio.

Ainda assim, a endocrinologista defende uma regulamentação mais restrita, com leis que impeçam o uso de personagens e celebridades infantis nas embalagens e anúncios, assim como a distribuição de brindes com os alimentos. “As crianças ainda não têm discernimento suficiente para não serem atraídas por esse tipo de marketing pesado”, diz.

Para garantir a melhor alimentação possível, os nutricionistas e pediatras recomendam que os pais sigam as instruções dadas pelo Guia Alimentar para Crianças Brasileiras elaborado pelo Ministério da Saúde.

“A alimentação da criança deve ser composta por comida de verdade, isto é, refeições feitas com alimentos in natura ou minimamente processados de diferentes grupos (por exemplo, feijões, cereais, raízes e tubérculos, frutas, legumes e verduras, carnes)”, diz a cartilha.

“O número de refeições ao longo do dia e a quantidade de alimentos oferecidos devem aumentar conforme a criança cresce para suprir suas necessidades”.

O guia afirma ainda que refeições com maior variedade de alimentos são as mais adequadas e saudáveis para a criança e toda a família. “Sempre que puder, varie a oferta de alimentos ao longo do dia e ao longo da semana”.

Há ainda outras opções de cartilhas disponíveis na internet, como o Guia Prático de Alimentação para crianças de 0 a 5 anos elaborado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e o e-book Lancheira Saudável, da Abeso, que dá ideias saudáveis de lanches para levar para a escola.

Mudanças nos padrões de amamentação

Outro problema identificado pelos especialistas é o não cumprimento do aleitamento materno exclusivo até os seis meses de idade, associado à introdução dos industrializados já durante os primeiros meses de vida.

Segundo o Enani-2019, menos da metade (45,8%) dos bebês menores de 6 meses mamam exclusivamente no peito da mãe.

“O leite materno é sempre a melhor opção e, por isso, aconselhamos a amamentação exclusiva até os seis meses e até pelo menos os 2 anos”, diz a nutricionista Inês Rugani. “A partir dos seis meses a introdução alimentar é recomendada, mas deve-se priorizar alimentos naturais e com ampla variedade de nutrientes, o que infelizmente nem sempre ocorre”.

Por variados motivos, muitas mães não conseguem amamentar e acabam optando pela fórmula. Segundo os especialistas, ela é a melhor opção nesses casos, mas deve ser evitada quando o leite materno estiver disponível e não fizer mal à criança.

“Tomar leite na mamadeira produz menos saciedade do que a amamentação. Além disso, a criança fica mais passiva do que quando está mamando no peito, o que pode ser prejudicial para o futuro, quando tiver que pegar e buscar os alimentos”, diz Rubens Feferbaum, pediatra e nutrólogo, presidente do Departamento de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

Segundo o médico, crianças que tomam fórmula ou leite de vaca industrializado também podem apresentar maior ganho de peso.

Falta de atividade física

Outro componente importante para o aumento nas taxas de sobrepeso e obesidade é a mudança nas atividades dos pequenos. Segundo os especialistas, cada vez mais as crianças têm preferido brincadeiras com pouco ou nenhum movimento.

“O estilo de vida das crianças mudou e agora elas passam muito tempo sentadas ou deitadas, assistindo televisão, jogando videogame e navegando no celular ou tablet”, diz Rubens Feferbaum. “Parte do tempo que no passado era usado para brincadeiras que exigiam correr, dançar e pular agora vai para a tecnologia”.

A falta de espaço físico para atividades mais dinâmicas também se tornou um problema. “Enquanto algumas famílias vivem em regiões periféricas onde não há parques ou segurança na rua, outras crianças passam o dia trancadas em apartamentos no meio da cidade”, opina Inês Rugani.

Segundo a especialista, não há uma recomendação padrão para a prática de atividade física pelas crianças, como existe para os adultos. “O que elas precisam é brincar, ter espaço para correr e se movimentar, e não ficar paradas na frente da TV por horas”, diz.

O Ministério da Saúde, porém, orienta para algumas boas práticas no Guia de Atividade Física para a População Brasileira. O documento, por exemplo, recomenda pelo menos 3 horas por dia de atividades físicas para crianças de 1 a 5 anos, com variações de intensidade de acordo com a faixa etária.

“Para as crianças, a atividade física é feita principalmente em jogos e brincadeiras ou em atividades mais estruturadas, como a participação em escolinhas de esportes e em aulas de educação física”, diz a cartilha.

Influência da família

Os hábitos adotados pelos pais e demais familiares também podem ter influência no peso da criança, de acordo com os médicos ouvidos pela reportagem.

“A cultura familiar é muito importante, pois as crianças consomem os alimentos oferecidos pelos pais e seguem as regras da casa quando se trata de tempo de tela”, diz Rubens Feferbaum.

Além disso, é durante a infância que muitos dos hábitos alimentares que levamos para toda a vida são formados. E muito do que é aprendido pela criança é absorvido por meio da observação.

“É importantíssimo que os pais deem bons exemplos, especialmente até os dois anos de idade, quando o paladar é formado”, afirma Cintia Cercato, da Abeso. “Oferecer alimentos diversos e em vários formatos e combinações diferentes é sempre uma boa ideia, assim como organizar refeições em família para que a criança se sinta motivada a comer bem”.

A especialista ainda recomenda convidar as crianças sempre que possível para participar do preparo dos alimentos, de forma que elas se sintam incluídas na rotina alimentar da família.

Por outro lado, a genética também tem um peso importante. Segundo Cercato, a chance de filhos de pais obesos sofrerem do mesmo problema pode chegar a 80%. Mas, se os pais têm peso normal, a probabilidade cai para menos que 10%.

O peso durante a gestação também pode afetar a situação do bebê. “O IMC da mãe durante a gestão pode estar intimamente relacionado ao peso futuro da criança”, diz Feferbaum.

Especialistas afirmam que é possível controlar o peso na gravidez, mas, para melhores resultados, é fundamental fazer mudanças no estilo de vida antes mesmo de engravidar.

Falta de acompanhamento especializado

Segundo o pediatra e nutrólogo Rubens Feferbaum, a falta de acompanhamento periódico das crianças por um médico especializado também pode estar contribuindo para o aumento dos casos de sobrepeso e obesidade.

“Nem todas as famílias no Brasil tem um acompanhamento regular com um pediatra”, diz o médico. “Há uma cultura nacional de só levar os filhos ao médico em casos de emergência, mas o ideal é acompanhar a evolução da altura e do peso com visitas regulares”.

Para o especialista, é muito mais fácil e possível reverter o quadro de ganho de peso quando ele é identificado precocemente. “Após os 5 anos e sobretudo na adolescência, a obesidade se torna mais difícil de reverter. Na verdade, quando mais a obesidade se estende na linha do tempo de uma criança pior será o prognostico para ela”.

Quando o sobrepeso ou a obesidade são identificados pelo pediatra, o indicado é que a criança seja encaminhada para um médico especializado, como um nutricionista ou endocrinologista.

“Por conta das altas taxas de desnutrição que o Brasil apresentou no passado, é comum que pais acreditem na crença de uma criança roliça é sinônimo de saúde. Mas isso não é verdade e só um acompanhamento médico responsável pode determinar o peso e a altura certa de cada uma”, diz Inês Rugani, pesquisadora do Enani-2019.

Pandemia

Os dados do Enani-2019 não englobam o período da pandemia de Covid-19, mas outras pesquisas realizadas no Brasil e no mundo já demonstram o impacto dos períodos de isolamento no peso de crianças de adolescentes.

Um estudo desenvolvido pela Sociedade Brasileira de Pediatria e publicado na revista científica Jornal de Pediatria, mostrou que alguns comportamentos do isolamento estão acarretando ganho de peso nos pequenos.

A explicação é simples: a falta de gasto energético nas brincadeiras ao ar livre, na escola e também a suspensão dos exercícios físicos, associados ao maior tempo diante das telas, contribuíram para o problema.

Outra pesquisa, do Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict/Fiocruz), em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), indica que ouve aumento no consumo de doces e congelados, bem como no sedentarismo, por crianças e adolescentes. O percentual de jovens entre 12 e 17 anos que não faziam 60 minutos de atividade física em nenhum dia da semana antes da pandemia era de 20,9%, e passou a ser de 43,4%.

E por mais que não existam ainda dados sobre o aumento de peso real durante o período de isolamento no Brasil, os especialistas ouvidos pela BBC News concordam que haverá um aumento considerável nos índices de sobrepeso e obesidade nos próximos anos.

“Sabemos que os índices vão piorar, e não somente porque a frequência de atividades físicas diminui no período de isolamento, mas também por conta da recessão econômica, que afeta diretamente a qualidade da alimentação do brasileiro”, diz Inês Rugani, do Enani-2019.

Para Rubens Feferbaum, do Departamento de Nutrição da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP), é preciso considerar também o impacto da pandemia na saúde mental das crianças e adolescentes.

“Ao ficarem presas em casa, sem ir à escola ou encontrar os amigos, muitas crianças e adolescentes desenvolveram ansiedade e depressão”, diz. “Esses fatores muitas vezes impactam na forma como os jovens se alimentam, pois podem gerar compulsão alimentar”.

E se ainda não existem dados sobre o ganho de peso durante a pandemia no Brasil, já há informações sobre o cenário nos Estados Unidos. Uma pesquisa do Centro de Controle de Doenças (CDC) do Departamento de Saúde dos EUA mostrou que o percentual de crianças e adolescentes obesos no país aumentou para 22%, em comparação com 19% antes da covid-19.

“O estudo americano mostra um crescimento preocupante na curva de obesidade nos Estados Unidos, e no Brasil não deve ser tão diferente”, diz Cintia Cercato, da Abeso.

 

Para ler a matéria original no site da BBC, clique aqui

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Bioestimuladores de Colágeno

A cirurgia bariátrica é recomendada para casos específicos de pacientes com obesidade mórbida que não conseguiram perder peso através de dietas, medicamentos e exercícios físicos. É um procedimento cirúrgico que tem por objetivo a redução do tamanho do estômago e consequentemente induz a uma importante e rápida perda de peso. Após a perda de peso, o paciente evolui com flacidez significativa e sobra de pele. A cirurgia plástica atua com grande eficiência na remoção do excesso de pele, mas ela não trata a flacidez tecidual. Para tratar essa flacidez, a dermatologia dispõe atualmente de tratamentos como Ultraformer III, tecnologia de ultra-som micro e macrofocado, que provoca microzonas de coagulação térmica em diferentes profundidades, promovendo intensa produção de colágeno. Além dessa tecnologia, temos a possibilidade de associar as injeções de bioestimuladores de colágeno, como Sculptra ou Radiesse, que também atuam no estímulo da produção natural de colágeno e elastina, deixando a pele com maior sustentação e firmeza. Resultados iniciam a partir de 30 dias, são progressivos e duradouros.

Consulte seu dermatologista para maiores informações.

Texto Dra Maria Cândida Santili

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O outono está chegando e alguns hábitos diários acabam mudando.

O outono está chegando e alguns hábitos diários acabam mudando. É claro, que com o frio, acabamos comendo um pouquinho a mais e dando preferências para os alimentos ricos em carboidratos.

Então, selecionei algumas dicas para passar pelo clima mais frio com saúde:

1.Hidrate-se bem! Com o clima mais seco, as nossas mucosas ficam mais desidratadas. Por isso, tome bastante água, sempre! Se preferir, pode também tomar chás e infusões de ervas, que são muito bem-vindas.

2. Consuma sucos fonte de vitamina C, como limão, laranja, mexerica, kiwi e acerola. Para ajudar seu sistema imunológico e nos proteger das gripes e resfriados.

3. Dê preferência aos carboidratos integrais, com pães, massas, arroz e torradas.

4.Uma boa forma de se manter nutrido e continuar consumindo legumes e verduras, são as sopas, tente variar os tipos, como: canjas, caldo verde, sopas de legumes, cebola, ervilhas, etc.

5. E por último, tente usar os temperos naturais, como: canela, noz-moscada, cravo, pimenta-do-reino, louro, cúrcuma e gengibre. Possuem ações antioxidantes e anti-inflamatórias.

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Relação entre câncer e obesidade acende alerta para controle urgente do excesso de peso

Um estudo recente, publicado pela revista Nature Communications comprovou o que médicos já sabiam: indivíduos obesos ou acima do peso têm maior probabilidade de desenvolver mais de 13 tipos de câncer diferentes, entre eles, câncer de esôfago, estômago, pâncreas, vesícula biliar, fígado, intestino (cólon e reto), rins, mama – especialmente mulheres na pós-menopausa-, ovário, endométrio, meningioma, tireóide e mieloma múltiplo.

A pesquisa afirma que a causa de alguns tipos de cânceres relacionados à obesidade seria a adaptação da célula ao ácido palmítico, derivado da gordura. Esta adaptação produz alterações nas células-tronco que, em vez de originarem tecidos saudáveis, tornam-se carcinogênicas. O estudo, realizado pela Universidade de Bergen, na Noruega, foi realizado com coleta celular de tumores de mama de 223 pacientes.

O presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), cirurgião do aparelho digestivo, Fabio Viegas, explica que o surgimento das doenças associadas à obesidade em pacientes que buscam tratamento para o excesso de peso é recorrente no consultório dos especialistas.

“Sabemos que a obesidade está relacionada a mais de 20 tipos de doenças, como diabetes, hipertensão, doenças nas articulações e outras. Agora, novas evidências comprovam a relação entre o câncer e a obesidade. A nossa recomendação para os pacientes que se encontram em um quadro de descontrole do Índice de Massa Corporal (IMC) é para que procurem especialistas capacitados para reverter este quadro o quanto antes”, afirma Viegas. 

Segundo ele, a possibilidade da formação de células cancerígenas se deve ao estado de inflamação – de baixo grau mas persistente -, ocasionado pela obesidade. “À medida que se aumenta a gordura corporal, vemos uma predominância de substâncias inflamatórias e estas se relacionam com a resistência à insulina. A perda de peso está associada à redução das substâncias pró-inflamatórias e aumento das substâncias anti-inflamatórias”, explica.

Além disso, pacientes obesos têm maior resistência à insulina, fazendo com que o corpo produza uma maior quantidade do hormônio, ativando mecanismos que promovem a duplicação celular, o que pode levar ao desencadeamento de tumores.

Caso real 

A dona de casa Marli Rodrigues Borges, de 47 anos, descobriu o câncer de mama pouco tempo após iniciar o tratamento para a redução de peso, quando estava com 97 quilos e um IMC de 30, que caracteriza obesidade. “Fiz a mamografia em fevereiro de 2019, apareceu uma calcificação e a biópsia apresentou uma lesão benigna. Continuei a ter sintomas como mamas inchadas e sangramento menstrual, mesmo sem ter útero; repeti os exames e tive o diagnóstico do câncer”, afirmou.

Marli realizou a cirurgia de mastectomia total para a retirada do tumor e, hoje, está bem; segue com o tratamento de hormonioterapia. “O meu ginecologista sempre falava que a obesidade é um dos itens que pode levar ao câncer, os exames apontaram que o meu tumor não foi causado por alterações hormonais”.

A gêmea de Marli, enfermeira Marlene Neres Santiago, também recebeu o diagnóstico da doença  na mesma época da irmã.

Nils Halberg, da Universidade de Bergen, na Noruega, um dos autores do estudo, garante que “Essa nova compreensão poderá levar ao surgimento de tratamentos melhores e específicos para pacientes obesos com câncer.”

Estudos anteriores 

Em 2016, a Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (Iarc, em inglês), da OMS, analisou evidências obtidas por mais de mil estudos sobre o tema e concluiu que a ausência de gordura corporal em excesso reduz o risco de câncer. O trabalho foi publicado no The New England Journal of Medicine.

Essa definição de excesso de peso contribuiu para o surgimento de 1,8% dos casos de câncer no Brasil, segundo estimativa publicada por Corrêa e colegas no ano passado na revista científica PLOS 1. Segundo o Inca, 5% dos casos de câncer de mama na pós-menopausa são atribuíveis ao excesso de gordura corporal.

Critérios para indicação da cirurgia bariátrica 

A cirurgia bariátrica tem se mostrado uma ferramenta eficaz no tratamento de obesidade em pacientes com IMC acima de 35 ou doenças como diabetes tipo 2 sem controle com medicamentos. No Brasil, a cirurgia bariátrica pode ser indicada quando os pacientes atendem a critérios de peso, idade e/ou doenças associadas. Estão aptos os pacientes com Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40 kg/m², independentemente da presença de comorbidades; IMC entre 35 e 40 kg/m² na presença de comorbidades; IMC entre 30 e 35 kg/m² na presença de comorbidades que tenham obrigatoriamente a classificação “grave” por um médico especialista na respectiva área da doença.

“O desafio para profissionais que atuam no tratamento da obesidade também cresce à partir do momento que cada vez mais pessoas, especialmente a população mais vulnerável, comem as chamadas calorias vazias, que não possuem nenhum valor nutricional e possuem altos índices de gordura e açúcares”, explica Viegas.

Adultos jovens, com idades a partir dos 30 anos até 60 anos, quando estão com 10 a 20 kg acima do seu peso ideal, já entram numa faixa de risco para o desenvolvimento de diabetes tipo 2 e doenças do coração.

Obesidade cresce no Brasil 

A última pesquisa do Vigitel, sistema de Vigilância de Fatores de Risco para doenças crônicas não transmissíveis, do Ministério da Saúde, informa que, entre 2006 e 2019, a obesidade cresceu 72% no Brasil, e hoje já é considerada um problema de saúde pública. 

Com a pandemia da COVID-19 os números aumentaram, comprovando a transição alimentar em curso no país.  A recente pesquisa Diet & Health Under COVID-19, que entrevistou 22 mil pessoas de 30 países, identificou que foram os brasileiros os que mais ganharam peso durante a pandemia. Aqui, cerca de 52% dos entrevistados declararam ter engordado. A média global é de apenas 31%. Ainda segundo a pesquisa, os brasileiros ganharam, em média, cerca de 6,5 quilos neste período.

A última Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em parceria com o Ministério da Saúde, também reforçou estes dados: um em cada quatro adultos está obeso. São 29,5% das mulheres e 21,8% dos homens.

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