Pedra na Vesícula – Colelitíase

Pedra na Vesícula - Colelitíase

Muito comum a partir dos 40 anos de idade, a pedra na vesícula (ou cálculo biliar) tem maior incidência nas mulheres, numa proporção  quatro vezes maior do que em homens.

Os cálculos biliares são pequenas pedras que se formam na vesícula biliar, órgão localizado na parte inferior direita do fígado e cuja principal função é armazenar a bile, líquido produzido no tecido hepático que auxilia na digestão das gorduras. A formação das pedras ocorrem por um desequilíbrio na vesícula, causando a cristalização do conteúdo da bile, um líquido formado por água, sais biliares, pigmentos e colesterol.

Não existe ação preventiva para o cálculo biliar, mesmo entre pessoas mais suscetíveis, como as mulheres,  obesos ou pessoas com historia familiar. O avanço da idade é um fator de risco  igual para homens e mulheres – principalmente a partir da 5 e 6 décadas, o emagrecimento rápido, a predisposição genética (irmão, primos, tios que tiveram cálculo biliar) e pessoas com anemia falciforme também compõem o grupo de risco. 

A pedra na vesícula ocorre com as mulheres numa incidência até quatro vezes maior em relação aos homens, tendo algumas variantes, como o uso prolongado de anticoncepcionais, a elevação do nível de estrogênio durante a gestação, a reposição hormonal na pós-menopausa e uma ou múltiplas gestões.

Formação do cálculo, sintomas e tratamentos 

A bile é produzida no fígado, uma mistura de várias substâncias, como água, sais biliares e colesterol, este responsável por cerca de 75% dos casos de formação de cálculos. 

Existem casos assintomáticos, porém quando a pedra fecha a saída do ducto biliar e bloqueia o fluxo da bile para fora da vesícula, provoca a cólica biliar com intensa dor no lado direito superior do abdome, que pode irradiar para as costas ou na região entre as omoplatas (parte superior do tórax, ombro, clavícula), náuseas e vômitos. Se persistir a obstrução evolui com a inflamação da vesícula, a colecistite aguda, neste caso os sintomas anteriores persistem por mais de 6h e pode haver quadro de febre associada.

Em alguns casos o indivíduo pode apresentar icterícia, que é o amarelado da pele e escleras (parte branca do olho). Isso ocorre quando a pedra obstrui a via biliar, que é a passagem da vesícula para o intestino. A icterícia pode ocorrer também em outras causas de doenças do fígado ou vias biliares, portanto é sempre importante a avaliação  de um gastro/cirurgião para definir a causa.

A presença de sintoma pode ser relacionada a ingestão de alimentos gordurosos ou fritos, pois nestes casos estimula a contração da vesícula para jogar a bile no intestino e isso pode gerar dor devido movimentação dos cálculos 

O cálculo (pedra) pode ter diversos tamanhos, desde o diâmetro de um grão de areia até cerca de 2 cm de comprimento e pode variar em número (quantidade de pedra) e provocar ou não sintomas, dependendo do tamanho. 

A palpação do abdômen é importante para verificar sinais de inflamação aguda ou a localização da dor no ponto cístico  (localização da vesícula), porém o diagnóstico da pedra na vesícula é feito por ultrassom de abdômen.

O tratamento é realizado com a  cirurgia para remoção da vesícula com a(s) pedra(s), podendo ser eletiva, ou seja, pode ser programada com o médico, ou em algumas situações de urgência.

A cirurgia por laparoscopia, minimamente invasiva, é o padrão de conduta mais indicado e requer pouco tempo de internação hospitalar, menos de um dia nos casos programados. Ao todo, em até duas semanas o paciente retorna às atividades cotidianas.

Os casos de urgência ocorrem quando há infecção, inflamação ou quando a pedra sai da vesícula e desloca-se para o pâncreas, causando a pancreatite aguda. 

Diferente da pedra nos rins, neste caso retirar-se a vesícula inteira. O órgão não tem função primordial, apenas a de armazenar a bile produzida pelo fígado. Ao retirar a vesícula, o paciente deve evitar e/ou reduzir a ingestão de alimentos gordurosos para não ter desconforto e dificuldade na digestão, dores abdominais e diarreias. 

Após  a cirurgia os cuidados são com a alimentação, pois deve ser restrita enosm gorduras nos primeiros 30-60 dias após a cirurgia, e a restrição à realização de atividades físicas por 45 dias.


Dra. Juliana Abbud Ferreira

CRM 138.884

Médica graduada pela Faculdade de Medicina de Santo Amaro (UNISA), com Residência Médica em Cirurgia Geral e Cirurgia do Aparelho Digestivo e Título de Especialista e Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva.

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