Obesidade e Tratamento

A obesidade é uma das doenças com maior crescimento e incidência no mundo. Nos últimos 10 anos esta doença cresceu 60% no Brasil. Uma em cada 5 pessoas está  acima do peso.  Isto se da pela mudança de estilo de vida e hábitos alimentares.  A dieta do brasileiro vem mudando ao longo dos anos.  Deixamos de comer alimentos mais saudáveis para consumir outros, ricos em gorduras e açucares. Apenas um em cada três adultos consomem frutas. Junto a isso temos também o aumento do  sedentarismo.

A obesidade traz para o paciente outras comorbidades que pioram a qualidade de vida, além do risco de morte. Este é o grande fator pela luta contra a obesidade. Muitos paciente se preocupam com o tratamento da obesidade pelo fator estético, muito influenciado pleas mídias sociais e padrões estéticos da sociedade. Porém a obesidade vai muito além disso. Junto com ela temos uma associação de mais de 70 doenças que impactam e muito na qualidade de vida. A hipertensão arterial e Diabetes Mellitus do tipo 2 são duas dessas doenças que assim como a obesidade estão tendo a sua incidência aumentada. Trazendo assim um risco maior para infartos, doenças renais, cegueira, problemas vasculares, AVC’s.

A obesidade também traz para o paciente alterações emocionais e de humor, além de influencias na libido, autoestima, fertilidade. 

Como determinamos quem é obeso?

Hoje a obesidade é determinada pelo uso da avaliação da massa corpórea do paciente, obtido através do calculo do IMC (peso/altura x altura). Este valor classifica o paciente em peso ideal, sobrepreso, obesidade grau 1, obesidade grau 2 e obesidade grau 3 (também chamada de obesidade mórbida). Pacientes com IMC maior ou igual a 18 menor ou igual a 25 são considerados paciente com o peso ideal. Pacientes com IMC maior que 25, menor ou igual a 29,9 são considerados sobrepeso. Pacientes com 30 ou mais de IMC são considerados obesos e merecem tratamento contra a obesidade.

Grau 1: 30 –  34,9

Grau 2:  35 –  39,9

Grau 3 maior ou igual a 40

Opções de tratamento do sobrepeso e obesidade começam sempre com a mesma medida. MUDANÇA NO ESTILO DE VIDA E HABITOS ALIMENTARES. NÃO EXISTE MILAGRE OU CURA MILAGROSA. O paciente que deseja vencer a obesidade deve sempre ter isso em mente. Não existe receita, dieta, magica, creme, pomada, medicação milagrosa. Todos os tratamentos disponíveis para terem sucesso vão sempre no fim depender das mudanças de estilo de vida, comportamento e alimentação. Tendo isto em mente o tratamento pode ser dividido em dieta, atividade físico com ou sem auxilio de medicações,  dieta e atividade física e procedimentos restritivos ou dieta e atividade física e procedimentos cirúrgicos.

O início do tratamento independente da técnica consiste sempre em um acompanhamento multidisciplinar, que significa que deve ser acompanhado por mais de um profissional em áreas diferentes, para se ter o melhor resultado possível. O Paciente sempre deve procurar ajuda profissional médica e nutricional para não prejudicar seu organismo durante o processo de perda de peso e ter uma redução de excesso com qualidade. O Principal erro que os pacientes mais cometem é não procurar ajuda corretamente e isso leva a condutas erradas, dietas rigorosas e extremas, que só vão afetar a qualidade de vida do paciente e desestimular o processo de emagrecimento. Este método é conhecido como tratamento clínico da obesidade.

Tipos de procedimento para tratamento da obesidade

Hoje a Sociedade Brasiliera de Cirurgia Bariatrica e Metabolica preconiza como tratamento para a obesidade os seguintes métodos, divididos em mistos ou restritivos.

Restritivos:

– Banda gástrica ajustável

– Balão intragástrico

– Gastrectomia Vertical

Mistos:

– Bypass Gástrico

– Duodenal Switch

Balão intragástrico consiste, como o próprio nome diz, na colocação de um balão dentro do estômago. Este procedimento é realizado por endoscopia e o balão e preenchido com aproximadamento 500ml de soro associado com um corante azul para identificação no caso de ruptura do mesmo. Com esta técnica o paciente apresentara saciedade precoce e restrição do volume de ingesta alimentar.

Banda Gástrica ajustável consiste na colocação de um anel ao redor do inicio do estômago que pode ter o seu diâmetro ajustado pela insuflação ou não de um balão ao redor do anel, levando o paciente a ter restrição no volume de sua ingesta alimentar.

Procedimentos cirúrgicos conhecidos popularmente como cirurgia bariátrica. E há 10 anos chamados de cirurgia metabólica, devido ao fato de órgãos envolvidos na cirurgia produzirem substancias hormonais que impactam na resposta efetiva do tratamento. E tem o seu mecanismo de ação divididos no mesmo modo. Cirurgias Restritivas são os métodos que restringem o volume gástrico. Cirurgias mistas são cirurgias que além da restrição gástrica também promovem desabsorção do alimento ingerido.

Restritiva:

– Gastrectomia vertical Também conhecida como cirurgia de Sleeve ou gastrectomia em manga de camisa. Esse procedimento e considerado restritivo e metabólico e nele o estômago é transformado em um tubo, com capacidade de 80 a 100 mililitros (ml).

Essa intervenção também provoca uma boa perda de peso, comparável à do by-pass gástrico e maior que a proporcionada pela banda gástrica ajustável.

É um procedimento que já e feito há mais de 20 anos, tem boa eficácia sobre o controle da hipertensão e de doenças dos lipídeos (colesterol e triglicérides).

Mista:

– Bypass gástrico: Estudado desde a década de 60, o by-pass gástrico é a técnica bariátrica mais praticada no Brasil, correspondendo a 75% das cirurgias realizadas, devido a sua segurança e, principalmente, sua eficácia. Nesse procedimento misto, é feito o grampeamento de parte do estômago, que reduz o espaço para o alimento, e um desvio do intestino inicial, que promove o aumento de hormônios que dão saciedade e diminuem a fome. Essa somatória entre menor ingestão de alimentos e aumento da saciedade é o que leva ao emagrecimento, além de controlar o diabetes e outras doenças, como a hipertensão arterial.

Como e quando indicar o tratamento cirúrgico

A cirurgia bariátrica é indicada para aquele paciente que teve falha no tratamento clinico e que além disso possui IMC maior ou igual a 35 com alguma comorbidade associada a obesidade. Ou para pacientes que tenham IMC maior ou igual a 40 tendo ou não comorbidades. A melhor tecninca a ser realizada é uma decisão em conjunto do paciente com a equipe multidisciplinar, porem a decisão final é sempre do cirurgião bariátrico, pois este tem a capacidade e conhecimento técnico para decidir qual a melhora técnica para cada paciente.


Dr. Ricardo Naegele Staffa

Médico graduado pela Faculdade de Medicina de Mogi das Cruzes, com Residência Médica em Cirurgia Geral na Faculdade de Medicina de Taubaté-SP. Título de Especialista e membro do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva e médico cirurgião do Serviço do Hospital Geral de Guarulhos-SP. Preceptor dos residentes de Cirurgia Geral da Faculdade de Medicina da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e do internato de emergência cirúrgica da Universidade Anhembi Morumbi.

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